Sobre home office, frila e decidir a sua vida


"Mas você não está procurando um emprego?" "Você nunca mais vai ter um trabalho de verdade?" "Virou dona de casa?" "Vai deixar tudo nas costas do seu marido?"

A ideia de empreender, frilar, trabalhar de casa ou viver de internet não é fácil na cabeça de todos. Ainda temos aquela ideia de que o trabalho certo te tira as 6 da manhã da cama, as 7 de casa e te devolve as 18h para o aconchego do seu lar. Você convive com pessoas que finge gostar, ri de piadas de chefes abusivos e acredita que aquilo tudo está certo, afinal, foi o que nos ensinaram. Como você vai ganhar dinheiro fora do mundo corporativo? 


Eu decidi trabalhar como freelancer depois de muitos anos dentro dos muros de uma redação que seguia os esquemas do mundo corporativo, ou aquilo que é permitido dentro do jornalismo. Batia crachá, tinha banco de horas, mas trabalhava tantos dias e horários que normalmente seriam folgas que eu nem sei o que se passou pela minha vida fora da redação nesse período. Fiquei sabendo que eu casei, por exemplo, mas mal participei da organização. 

Para quem não sabe, freelancer nada mais é do que um profissional autônomo. Você vende o seu serviço, realiza, é pago por ele e fim, acabou o seu vínculo. Muitos usam esse tipo de trabalho para sobreviver entre empregos, afinal, não é fácil pagar as contas sem um salário garantido. Mas sempre sonhei em conseguir sobreviver trabalhando de casa, no meu ritmo, com minhas prioridades. Meu trabalho, minhas regras. Para ser completamente honesta, fui jogada nesse mundo de freelancer meio que ao acaso. Enquanto eu planejava largar tudo e tentar a carreira solo em uns três anos, em paralelo ao aumento da minha família - afinal, como ser mãe sendo jornalista de hard news, se nem meu casamento eu consegui planejar? -, veio a vida e pah, me mostrou que tudo deveria acontecer antes. No meio de uma crise no jornalismo eu e mais 149 amiguinhos fomos conhecer a fila do seguro desemprego. Ótima oportunidade para adiantar planos. 


Quando você entra nesse mundo, te dá o primeiro baque: se você quer dinheiro, tem que correr atrás. Manda proposta, se candidata a projetos temporários, coloca propaganda no blog, negocia publieditorial, vê quanto o google paga, faz textos por 10 reais, não, péra, 10 reais é pouco, paga 15 pelo menos, descobre que deveria cobrar R$ 50, retoma laços de amizade de trabalho, chora pela falta de dinheiro, sente falta da convivência diária com colegas de trabalho, sente falta de ver gente, sente falta de ter dinheiro garantido. De repente qualquer proposta de trabalho te parece tentadora e a melhor das oportunidades. 

Você volta para o mercado trabalhando em condições que não aceita, mas faz porque é aquilo que todo mundo faz, e se todo mundo faz é porque está certo. O mundo está em crise, o país em pleno desemprego, quem sou eu para recusar uma oportunidade? Então vem o segundo baque: você lembra tudo aquilo que não gostava. Chefe abusivo, carga horária exaustiva, salário baixo, péssimas condições, tchau fim de semana, chefe que você não aguenta, feriado pra quê?, hora extra é brinde, você tá aqui pelo glamour e não para ser rico. Na vida, às vezes, precisamos testar as nossas opções para ter certeza do caminho que estamos seguindo. E são esses testes que nos mostram que ir contra aquilo que acreditamos não vale a pena. Largar uma oportunidade quando toda uma categoria busca um emprego pode parecer o caminho do absurdo, mas também é o necessário para se encontrar a felicidade.


Os baques nos ajudam a enxergar melhor a realidade. Conhecer as opções faz com que a gente possa escolher o caminho certo. Não é fácil viver de internet. Não é fácil viver de frila. Não é fácil viver das amarras do mundo corporativo. Mas dinheiro não cai do céu. Ou pelo menos ainda não inventaram uma máquina de chover dinheiro. É preciso não somente correr atrás dos seus sonhos, mas organizá-los e colocá-los em prática para que se possa viver deles. Em um mundo cada vez mais moderno dominado por uma geração Y que não foi feita para seguir os moldes de seus antepassados, jogar tudo para o alto e fazer aquilo que gosta não é necessariamente um ato de rebeldia. Não é um ato desesperado. É entender que somos mestres do nosso destino.


"Às vezes você faz escolhas na vida, e às vezes as escolhas fazem você. Essa é a beleza das coisas" (Se Eu Ficar)




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